Escrevo a carta á luz da vela, serena, meiga. O papel amarelecido guardado no caderno desbotado pelo tempo, está pousado no meu colo, tenho as mãos em cima dele. Continua macio, como se o tempo e a brisa amena tivesse passado por todos os livros da prateleira, menos por este; pelo caderno da minha vida, o diário de tudo aquilo que fomos. De facto, o tempo não passou por todas as lembranças ali anotadas.
Sei que daqui a pouco estarei distante daqui, debaixo da Lua, vendo as estrelas tremeluzirem lá no alto, e sentirei o teu calor frio, sentirei o teu toque macio aconchegando-me.
Por vezes, é como se o doce dos teus beijos caísse leve nos meus lábios, e perdurasse ali durantes infimos minutos, que a pouco e pouco escasseiam e por fim, se entregam na disputa do amor.
Ainda está no meu colo. A capa é dura, indestrutível, como nós eramos. Conscientes da nossa eternidade que acabou por ter um limite de tempo; mas, de qualquer modo, sabiamos o quanto nos amávamos e como, a cada noite, tinhamos a certeza que pertenciamos um ao outro. Eu sabia que te pertencia.
As folhas estão gastas, e a isto nada acho comparação na nossa história. Não sinto nenhuma das nossas memórias gastas. Pelo contrário, cada vez as vejo mais nitidas, e se numa época eram a preto e branco, hoje têm as cores mais belas com que podia, sequer, sonhar. Tons pastel, o vivo do amor. Têm um equilibrio fundamental, uma vida única e invulgar.
A caneta é antiga, quase sem tinta. Gastei grande parte dela referindo as tuas palavras magnânimes e meigas. Gastei-a, principalmente, tentando adjectivar delicadamente o nosso amor, mas receio que tudo tenha sido em vão. Pois, mesmo enquanto tentava, a débil consciência de que não havia palavras que o definissem seguia-me, em todos os caminhos, em todas as linhas autênticas que escrevi, com tudo aquilo que tinha.
Abri-o, finalmente.
Senti os olhos picados de lágrimas, raiados de vermelho assim que reli tudo. As lágrimas correram pela face. Deixei, libertei-as. Estiveram demasiado tempo amarradas no meu peito, em tudo aquilo que não pude fazer pelas minhas limitações escondidas, mas hoje, embalei essas lágrimas, puras e cristalinas, e retomei á lembrança única de todos os momentos.
Li a primeira página. Foste tu quem a escreveu.
Meu amor:
Em todos os anos que passaram, senti-me devoto ao nosso amor, á unanimidade com que nos identificávamos. Tenho saudades do tempo passado contigo diante da lareira quente no Inverno, e de me perder contigo mesmo antes de nos deitarmos nos lençóis finos, e nos cobertores quentes.
Hoje entendi que quando te prometi passar o resto da vida contigo, não o poderia ter prometido a mais ninguém.
Foste a única que sempre amei, e dou por mim a perguntar, debaixo da noite escura e quente, onde sopra uma brisa amena, como teria sido a minha vida, se nunca nos tivéssemos encontrado.
Pois, contigo, dei os primeiros passos no amor. Ensinaste-me a amar, a acreditar em todas as minhas virtudes e qualidades, e, meu amor, como te amo!
Obrigado. Sei que te tenho a agradecer por todos os incontestáveis e autênticos segundos, carregados pelo amor e carinho que trocamos, por todas as promessas e por cada beijo debaixo do sol ténue do Inverno, do Verão, de todas as estações, e de todo o tempo do mundo.
Quero abraçar-te todas as vezes que possa, nunca permitirei que vás, e, se um dia tiveres de ir, eu irei contigo.
Eu amo-te. Nunca desistirei de ti. És como uma nuvem que me persegue todo o dia, e eu gosto, adoro, amo-te!
És a única nuvem que escorre chuva na minha pele áspera. És a única chuva que gosto. Como te amo! E não me canso de o repetir, todas as vezes, indubitáveis vezes.
Tenho a certeza, hoje, que serás sempre minha, e também eu, mesmo fraco, serei sempre teu.
Amo-te.
Fiquei parada com o caderno fechado, de novo, no colo. Tu já não estás aqui, voaste para longe, mas não porque quiseste, não tiveste sequer oportunidade de escolher. O tempo assim o quis, levou-te, paralisado, pelas asas fechadas de um anjo.
Relembrei a tua face linda. O teu sorriso meigo chocou no meu coração que, de súbito, bateu mais e mais rápido, sem ritmo. Apenas acelarado, incapaz de atinjir uma estabilidade lógica.
Como te amo!
O sentimento que nutri por ti ao longo de todo este tempo, (que pareceu não passar enquanto não estavas ao meu lado), foi incapaz de diminuir todo o amor que sempre te dei e senti por ti. Ao invés, aumentou, cresceu. Amo-te sempre mais, com mais vigor e mais força, e ao longo do tempo, cuidei deste amor sempre com mais carinho, embalei-o em todas as minhas lágrimas e todos os meus sorrisos.
Nunca te poderia perder, e não perdi. Na minha mente vives todos os dias, protegido pelas memórias e por todo o bem que ainda te desejo.
Um dia irei ter contigo, sei que me esperas, que só quando estivermos juntos, de novo, cruzaremos o céu e eu, lentamente, te tocarei de novo os lábios.
Hoje, sou eu quem te promete nunca te deixar. Serás sempre o único, a mais bela melodia que ousei tocar com todas as cordas agrestes e melódicas do meu coração.

gabi mais linda do mundo :o já nao tens face amor ? ♥
ResponderEliminarmuito obrigado (:
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