segunda-feira, 29 de novembro de 2010

última linha

Podia olhar-me ao espelho. E, que diria eu a mim mesma, quando visse por fim que talvez seja tão banal (de uma forma excepcional) como todas as outras pessoas?
Talvez me acusasse de não ser diferente, mais bonita, mais delicada, mais fantástica, mais autêntica, mas, detesto injustiças, e muito provavelmente, numa análise consciente e bem-feita a um ser humano igual aos outros, seria injusta comigo mesma.
Podia olhar-me ao espelho e ainda recitar versos soltos, numas folhas rabiscadas, envelhecidas pelo tempo, amargas, ásperas; não me sabem a nada.
Contêm letras, parágrafos, talvez memórias e uma ou outra lembrança, mas agora, estão vazias. Lembro-me (ainda no reflexo do espelho), que um dia, chorei a ler esses parágrafos, fui feliz a reviver as memórias, e talvez só hoje possa denominar tudo isso (a amargura, a felicidade, a vitória e o carinho) de 'passado'.
Talvez até há dois minutos ainda fosse presente, mas decidi arrumar tudo numa gaveta no meu sub-consicente; fundo, tão fundo e magnânime como o mar.
Deixei para trás; foi como se num minuto estivesse tudo aqui, no ritmo melódico do meu peito, e no outro, tudo tivesse sido bombeado para o armário da minha alma.
Já nem sequer sinto o doce dos teus beijos. Nada, zero, nada. É bom, é agradável. Uma maravilhosa sensação, única e invulgar. Só porque há dois minutos, achava nunca te poder esquecer.
E aqui sou sarcástica. Não te esqueci em dois minutos, onde a minha raiva por ti cresceu de um tal modo gigante, que te tenha extinguido com as chamas que daí nasceram. Não, meu amor.
Já te esqueci faz algum tempo, mas receio só hoje ter tido coragem para escrever sobre um 'fim' que talvez nunca tenha tido inicio.
Sinto-me feliz. Atinji uma estabilidade lógica magnifica, incomparável. É absolutamente unânime em todos os aspectos. Gosto, gosto desta estabilidade, de me conseguir sentir de novo equilibrada, tranquila, pacifica, como eu sempre havia sido. E bem sei que, todas as lágrimas que derramei, hoje não fazem sentido.
O reflexo da minha face no espelho quase se extingue, e o tempo ousa passar.
Amanhã tudo começa bem cedo, de uma forma gentil e serena, espero eu. Espero que amanhã, te diluas e dispersses para sempre do meu coração, (agora renovado e fantástico!), e que vás em paz, para onde quer que vás. Sei lá, mas espero que seja longe, não de todos, mas de mim.
E já nem peço por favor, nem te suplico. Sei que vais, é a tua vontade.
Não, não estou a escrever um prelúdio aos mil anos que virão. Estou apenas a tentar entender porque é que me magoaste tanto, ousaste despedaçar o meu peito em bocados agora irreconheciveis. Sabias de tudo!
Meu Deus, como eu te amava! Como hoje já nem sequer lembro o teu nome!
E a cicatriz estala, quebra, faz parte de uma rotina nostálgica, tal como a Lua. Adoro a Lua.
Adoro a brisa serena, e a luz ténue do sol de inverno. Adorava-te a ti. 'Passado', sim.
Está na hora de definitivamente fechar a gaveta.
Um adeus, um adeus sincero e verdadeiro. Eu até que gostei de ti, mas hoje, no caderno desbotado pelo tempo, escrevo a última linha acerca daquilo que foste.
Único, eu amei-te.

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