quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tempo


Meu querido:



Estou perante o quadro que me pintaste. Pouso a mão nele e fecho os olhos, juntando as pálpebras. Sinto as suas cores vivas percorrerem-me o corpo em movimentos lentos e suaves. É bom, eu gosto.
Não desejo abrir os olhos, mostrar o brilho que cintila neles quando a Lua cai sob a escuridão em que o céu é agora; não desejo abri-los, pois quero deixá-los fechados, revivendo a memória do dia em que estava sentada a teu lado e te observava, com o pincel mergulhando nos tons pastel, a pintar na tela, a pintar até, no meu coração.
Lembro como estavas belo, com o cabelo curto e ondulado, com os olhos esmeralda imitando as ondas do mar magnânime que rebentam numa espuma branca suja, levando consigo tudo o resto.
Lembro de nesse dia ter desejado que uma onda levasse tudo á minha volta, menos a ti, ao pincel, e á tela. Não me lembro de me ter sentido tão excitada em mais tempo nenhum.
Estavas belo, com um sorriso meigo atravessado nos lábios rosados, com o rosto concentrado, numa expressão tão engraçada, naquilo que fazias, e, de vez em quando, olhavas para mim, beijavas-me de leve, davas-me a mão e voltavas a soltá-la com uma rapidez igual áquela com que a agarraste.
Eu, com o vestido que trazia e o cabelo caindo em cascata até aos ombros, mirava-te, tentando encontrar um único pormenor que desconhecesse em ti, e, pela primeira vez, falhei.
Conhecia-te de cór. Sabia que quando coçavas a cabeça após te ter feito uma pergunta importante, era porque me ias fazer uma surpresa. Sabia que quando mordias os lábios quando estávamos ambos em frente da lareira, deitados no chão, era porque desejavas beijar-me ali, naquele preciso momento, e juntar o meu corpo com o teu numa sucessão de rápidos segundos.
Conhecia a tua expressão de intriga e de felicidade, a espontaniedade do teu sorriso, a verdade de todas as tuas promessas, e adorava quando, pela noite dentro, me acordavas ainda o Sol não tinha nascido, só para me dizer que, se durante o sono desaparecesses, me amavas, e que nem mesmo a injustiça da morte nos poderia separar; que esperarias por mim para juntos curzarmos o céu.
Oh, como lamento a tua ida. Gostaria imenso que tivesses ficado, que te pudesse ter encontrado mais uma vez deitado do meu lado e tivesse tido a oportunidade de, mais uma vez, te recitar versos soltos ao ouvido e sussurrar-te ao ouvido que te amava mais que a própria vida.
Não sabes, meu amor, o quanto me custou ver-te deitado de olhos fechados, e saber que não os abririas mais; ver que a nossa vida juntos tinha de terminar, por algum tempo, até eu também fechar os meus e ir ter contigo.
E ainda hoje me parte o pequeno e frágil coração, agora um pouco gasto pelo tempo, saber que há décadas que não me beijas os lábios, que não procuras o meu corpo com as tuas mãos, e anseio por ti, anseio poder rever-te, meu amor. Anseio morrer eu também, para ir ter contigo, e me digas como é estar longe de mim, mas tão perto ao mesmo tempo.
Pois, passas o dia inteiro no meu coração, e á noite dormes no meu olhar escuro, dormes na minha mente que recita as nossas imagens juntos em belas promessas e palavras doces. Sei que te voltarei a ter aqui, e que esta saudade que hoje me pesa no coração, um dia se dissipará quando de novo me tomares nos teus braços, e juntos voarmos longe da vista de todos.
Dentro em breve, o fogo do nosso amor vai voltar a arder, vai voltar a fluir por entre tudo aquilo que deixámos por dizer.
Apenas lamento ter envelhecido, e não o poder ter feito a teu lado.


Amo-te.



















6 comentários:

  1. oh amor :x tipo é também por causa daquela cena que se passou la no liceu , com as supostas "amigas" amor?
    olha amor, aqui tens o meu e-mail, dp apagas o coment sim amor ?
    kellyelizabethr@hotmail.com

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