segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

melhor amigo.

Melhor amigo:



Escrevo esta carta á luz de uma vela quase apagada. Sinto o quente estalar na minha pele; mais importante, tenho a tua imagem, a imagem de um irmão, na minha mente. Ficaste mais bonito com o passar do tempo, mais natural e mais maduro. Conheci em ti uma pessoa extraordinária, uma sombra que levo comigo o dia todo, e que nunca desejo que me largue. A luz da vela está quente, não tenho a luz ténue do Inverno para me aquecer. É uma noite sem luar. O espesso nevoeiro tapou as estrelas. Está bastante frio, mas nem por isso deixo de manusear habilmente a caneta.
És o meu melhor amigo, mereces todos os meus sacrifícios. Gostava que soubesses que, tomes tu que decisão tomares, eu apoio-te, apoio-te de olhos fechados, e deixo que me conduzas. Eu confio em ti em pleno, espero que o saibas.
O meu quarto estava vazio, antes de ter pousado o papel na secretária, mas depois, começaram a dançar na minha mente, ao som de uma balada que o ritmo melódico do meu peito tocou, as lembranças de quinze anos.
Mas aqui tenho de ser irónica. Não me lembro de quinze anos, era pequenina. Aliás, éramos. Isso, apenas revejo em fotografias. Todas elas têm o nosso sorriso. Sei que éramos felizes, inseparáveis, como hoje o somos. Também me lembro que, pelo menos para mim, os dias mais felizes ao longo do ano, eram aqueles em que tanto tu como a tua irmã rompiam pela porta do Hotel para ficar por umas semanas, e sim, essas semanas eram autênticas.
Durante bastante tempo, os corredores do hotel eram movimentados por passos de clientes, de empregadas, mas nunca pela correria de crianças a rir e a 'gritar' num tom doce, a viver uma fase feliz, tendo já a consciência, mesmo sendo novos e pequeninos, que aquelas amizades haviam de perdurar para sempre.
Éramos quatro, até um dia. Eu, tu, o Tiago e a Beatriz. Depois veio o Simão, e ainda bem que veio.
Éramos cinco. Cinco crianças fantásticas. Tínhamos um sorriso único e invulgar, nunca forçado, verdadeiro como as ondas do mar que rebentam na areia.
Juntos, fizemos coisas incríveis! Inventámos tanto, também chorámos, mas de lágrimas, mal me recordo. Só relembro os tempos felizes, que era sempre que estávamos juntos, sempre que dávamos as mãos e corríamos.
Melhor amigo, tenho saudades desses tempos. Dos tempos em que, para nós, parecia não haver qualquer problema. Parecia que tudo era simples, como a cor doce do céu e o anoitecer que cai meigo numa tela negra, enfeitada com luzes prata.
Tenho saudades de corrermos livres enquanto respirávamos gargalhadas profundas. Saudades de quando nos abraçávamos os cinco, e ficávamos ali, num momento de pura amizade, tão verdadeira.
E em todos esses momentos, era como se estivéssemos a dar um nó na nossa amizade, para que nunca se desatasse, para que perdurasse para sempre.
Não escrevo um prelúdio aos anos que virão, mas nós sempre soubemos que, por mais coisas que aconteçam, por mais que o tempo ouse passar, a nossa amizade é interminável. De todos nós.
Sei que seremos sempre cinco patifes lindos, ladrões de sorrisos, de boa-disposição.
Também sei que agora crescemos, que muitas das brincadeiras que tínhamos já não brincamos, mas hoje ainda nos sentamos todos á volta de uma mesa, e recordamos esses tempos a rir. É bom saber que alguns de nós ainda relembram até expressões que usávamos. É bom saber que nenhum de nós se esqueceu.
Hoje, talvez algumas coisas se tenham alterado, mas amo-vos a todos de igual modo.
Tu tornaste-te o meu melhor amigo. É a ti que conto tudo, nunca te escondi nada. Sabes cada detalhe, assim como eu também sei cada detalhe teu. És o maior de todos os irmãos, quem me escuta e me embala na noite com palavras de conforto quando estou mal. E tu sabes sempre quando estou mal.
Sei que não adivinhas, mas já me conheces, sabes tudo de mim, como já disse.
Gostaria de poder encontrar palavras para te agradecer por em tantos anos de verdadeira amizade, me teres dado a possibilidade de me deixares errar e aprender com esses erros. De nem sempre me ter levantado quando caí. Agradeço-te por isso porque sei que foi com todos esses erros que construi a minha consciência, graças a ti, a um melhor amigo inigualável, autêntico.
Mereces tudo, mereces ser a pessoa mais feliz de todas!
Mereces sorrir todos os dias a toda hora, e não mereces chorar, se não de felicidade.
Agora sinto os olhos picados por lágrimas. Deixo-as cair. Relembrar a nossa infância é sem duvida o que mais força me dá, e espero que a ti também.
Só quero que nunca te esqueças do quão importante és para mim.
E como tantas vezes já te disse, estou sempre aqui, para te apoiar e levantar, assim como tu estás para mim, a qualquer hora, a qualquer momento.
Obrigado por tudo, melhor amigo.

Com saudade e amor
Gabriela



5 comentários:

  1. muito obrigada, gabriela, mesmo ♥
    é muito bom saber que alguém nos apoia, e nos quer bem! também gosto muito de ti.
    sê feliz, tu mereces!

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  2. está lindo! nota-se bem o quanto gostas do teu melhor-amigo! (:

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