Será possível? Julgava conhecer tão bem o meu coração, mas, de repente, numa rapidez quase monótona, sinto-o dividir-se em dois, em duas metades paralelas, deixando-me a vacilar. Não sei, sinto-me navegando á deriva, sem certezas de nada, ou, talvez de tudo.
Sei lá. Não me encontro. Parece que o meu corpo foge para um lado e a minha mente para o outro, enquanto o coração de desmorona sozinho, abandonado no mais magnânime do que é sentir.
E é por isso que, tenho medo de me estar a perder, de não encontrar solução para o que quer que seja. E hoje, incrivelmente, quando senti uma lágrima ser derrubada e cair-me no lábio, voltei a sentir o cheiro a maresia.

Revivi tudo, mais uma vez. A areia colada ao corpo e o sal colado a ele que se diluia cada vez que me encontrava com o oceano. Voltei a ver o teu rosto perdido na minha pele, e não sei, meu amor, se algum dia alguém poderá unir de novo o meu pequeno coração, que hoje se deita ao Luar, dividido, sem querer saber de nada mais, se não tu, ou ele, ou ninguém.Voltei a ver a casa com as paredes pintadas de um coral esbatido, o sofá grande e branco que se estendia ao longo da varanda, e os nossos corpos nele sentados de mãos dadas. Vi-me de novo no alpendre, rodeado por pequenas flores, inclinada para o pôr-do-sol e para as saudades que eu saberia vir a sentir de tudo aquilo.
Nessa noite, a última das nossas vidas, caminhei durante longas horas ao brilho do Luar que se sobrepunha ao oceano, sentindo a água fria da noite embater-me nos pés que se deslocavam pela areia húmida, sentindo o meu vestido branco balançar nas ondas da brisa.
E nessa noite, sentei-me de frente para as ondas, devorando com o olhar calmo as estrelas, e sabendo que, no último dia das nossas vidas, te perderia para sempre.
Quando a Lua desceu, e eu pressenti que estarias prestes a acordar, escrevi uma carta como de despedida, coloquei-a numa pequena garrafa de vidro e joguei-a ao mar. Não queria que nunca te esquecesses de mim.
Então, corri o mais que pude para casa, enrrosquei-me de novo a teu lado na cama, sentindo o teu calor disperssar-se no meu corpo. Vendo o teu rosto tão bonito enquanto dormias.
De súbito, senti uma parte de mim morrer. De súbito, soube que te perdi, e que aquela noite na praia e a carta jogada ao mar, não me trariam de novo os teus olhos, da cor do mar.
Gostei *
ResponderEliminarestou a seguir *
Muito obirgada querida :)
ResponderEliminarAdorei o texto. Nada melhor do que tornar uma memória eterna da maneira que mais nos convém pois o importante é fazer com que a pessoa que se perdeu, fique para sempre viva no nosso coração e na nossa mente.
achas mesmo ? lindo está o teu !
ResponderEliminarmuito obrigado mesmo*
ResponderEliminarbigada minha qeridaa!!!
ResponderEliminaro teu cantinhooo e lindooooooo:D
beijinhos
pelo elogio*
ResponderEliminarobrigada preincesa, :)
ResponderEliminargostei :b
ResponderEliminaroh, que fofa gabriela, ♥
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