quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Batimento.

Daqui em diante, só desejo ouvir o teu coração. Silencia-te.
Silencia os teus lábios delicados, o som da tua respiração serena. Silencia os teus braços, não os deixes mover-se para além do horizonte; silencia o teu corpo. Detêm-no, pousa-o numa calma indubitável, e por fim, fecha os teus olhos, tão azuis como o mar, tão mel como o Sol, tão verdes como toda a esperança que ainda tenho em nós.
Vou, calmamente, numa batida quase tranquila, pousar o ouvido no teu coração e beijá-lo; irei fazê-lo ser meu. Tomar conta dele, embalá-lo, guardá-lo em mim; apenas em mim, e embrulhá-lo em todos os nossos sentimentos unânimes, que nunca conseguiram ser tão bonitos.
Agora, escuta-o. O teu coração bate num ritmo nostálgico e melódico; é uma linguagem quase como que do oriente; correcta, invulgar, mas é também como um código, que apenas eu entendo. É uma linguagem quase muda, ditada por cada tom de tudo aquilo que ainda conseguimos sentir.
E continua a bater, e eu não me canso de o ouvir. Sinto o sangue que se demora nas minhas veias, a ansiedade de poder pegar no motor do nosso amor e torná-lo meu.
Quero o teu coração, nunca o desejei tanto. Aliás, nunca, em toda a minha vida, desejei tanto algo.
E eu retiro-o do teu peito com cuidado, enquanto observo os teus olhos fechados e o teu corpo em silêncio. Um silêncio vulgar mas, incomum e raro. Quando acordares, não terás coração, mas isso é porque desejo que me ames para sempre, que nunca deixes de pensar em mim, de me querer agarrar nos teus braços e pousar os teu lábios nos meus.
Por isso, agora que o teu corpo já está longe e tranquilo, e eu me defronto com o brilho da Lua e com a água fria do mar cruzar-me a pele, enquanto a brisa amena me desloca para todos os meus fins, coloco o teu coração dentro de uma caixa decorada com todas as nossas fotos, com todas as cartas que trocámos e, enquanto ele bate por mim, por mim e por ti, o mar leva-o, uma onda envolve-o, e de seguida apenas o consigo ver ir na direcção da Lua, para que um dia possa brilhar tanto como ela.
Amo-te.

7 comentários:

  1. juro que um dia ainda me vais explicar como escreves desta maneira! caramba o:

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  2. bem eu acho-a especial! profunda, juro que é isso que sinto quando leio os teus textos $:

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  3. oh, eu sou meio estranha com a escrita, escrevo melhor sobre o desilusão e assim do que sobre o amor em si, e quando escrevo tenho de ter uma razão .. aliás o quem mais gosto de escrever é diálogos :) e poucas vezes gosto do que escrevo ..

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  4. bom, então obrigado, é bom ouvir isso :$

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  5. oh, obrigada gabriela.
    gosto muitos destes teus últimos textos (:

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  6. obrigada. mas não se comparam aos teus. há pessoas que nasceram já com a capacidade inata de deixar fluir a escrita, eu simplesmente escrevo linda

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