Obrigado por seguirem, são os melhores <3
Fechei o diário, ou o caderno, ou… ou aquelas folhas que estavam agora diante de mim. Continuo na praia, e numa nostalgia que me invadiu como uma melodia, relembrei. Não sei bem ao certo o quê, mas o sorriso do avô apareceu na minha mente, e as mãos delicadas da mamã no meu coração que aqueceu rapidamente. Ora, o elefante ainda está a fazer piscinas no Pólo Norte, julgo eu, porque o meu estado de espírito, parte do medo, e talvez de uma mágoa que, fizesse eu o que fizesse, acabaria por ser inevitável.
Penso ter uma história de vida um tanto complicada, parecida com tantos romances, ou tragédias; com tantos filmes ou séries de terror, que no entanto, nunca deixaram de ter um suave toque de espontaneidade, dramatismo saudável, e loucura. E bom, não pegarei de novo no diário para escrever tudo aquilo que julgo não conseguir escrever; talvez porque as palavras sejam mais afiadas que uma espada de dez gumes, mais dolorosas que partir uma unha, no caso de mulheres extremamente hippie chique ou Boho-chic.
A mamã morreu há cinco anos, quando eu tinha vinte. Desde esse dia que o mundo caiu, redondo como tudo em cima da minha cabeça, rebolou pelo meu corpo, esmagou-me o coração, destrui-me a arte de pensar e escrever poesia, esmagou as memórias e guardou as lembranças. Numa síntese clara, fiquei desolada, desamparada, sozinha enquanto tinha toda a gente comigo. A mamã era o mundo, sim, o mundo. Sei que trocaria qualquer coisa por voltar senti-la embalar-me todas as noites e remexer-me os cabelos, e sei também que, o impossível nunca acontece, e por isso aquilo do ‘tudo é possível ’ entra-me por um ouvido e sai-me pelo outro a uns bons 1000 km por hora, se é que chega a entrar.
A minha vida teve uma fase de solidão, em que só o mar me dava alento, em que só o sol e calor me ressuscitavam de todas as vezes que julguei ter morrido entre as lágrimas que perduraram durante semanas seguidas, durante todos os dias que não comi e não bebi exactamente nada. A coisa complicou-se um tanto, tendo de ir para o hospital, mas resolveu-se quando a avó me pegou na mão e de seguida me abraçou pedindo que eu não fosse embora como a mamã. Lembro-me das suas rugas vincadas na pele, nos olhos cansados verde azeitona, e do brilho quase escasso que emitiam. De resto, tinha um sorriso bondoso e uma pele de bebé, brilhante e macia. Nesse mesmo dia, em que a avó me agarrava e pedia para sobreviver, o avô chegou ao pé de mim, deu-me um estalo e saiu.
Foi isso que sempre adorei no meu avô, e é por isso que o amo como um pai (o meu deixou-nos quando eu festejava os dois primeiros dias de vida). A frontalidade meiga, o seu ser directo e respeitador, no entanto amável e bom ouvinte, são as qualidades de um homem que já viveu traumas, desgostos, alegrias e concretizou sonhos inimagináveis. Depois, é isso, é um sonhador, com um lado romântico apurado, pois cada vez que estamos sozinhos, diz-me que a minha avó foi uma bênção, a recompensa da guerra, e que não há mulher como ela. Diz-mo apesar de todos os dias discutirem, para no fim se começarem a rir juntos, como dois adolescentes enamorados. Eu limito-me a desejar que quando chegar á idade deles, tenha um companheiro assim.
Portanto, o elefante vai ter de deixar de fazer piscinas no Pólo Norte, e talvez possa esperar pelo Inverno para ir á Suécia passar uma estadia no hotel de gelo, e bom, isto significa exactamente que me vou levantar, caminhar pela praia num tom lento, sentindo a brisa calma soprar-me no rosto, e descansar, talvez até amanha, ou depois, ou depois e depois.


OBRIGADA (:
ResponderEliminar- está mesmo lindo, continua a escrever.
de nada princesa, continuaa siiim? :p
ResponderEliminarÉ baseado em alguma história verídica?
oh que querida *.*
ResponderEliminarIREI LER SEMPRE OS TEUS TEXTOS, é com o maior prazer que os faço, escreves lindamente *.*
está lindo *.* pff continua <3
ResponderEliminarA sério nunca pares de escrever *.*
ResponderEliminarlindo, continua *
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